Vai.
Diz a verdade...
O que é pior? Foda ou Coito?
Tudo bem, foda tem todo o estígma de ser “palavrão”, de “termo chulo”, de “coisa feia”, de “algo que não se diz”....O-B-S-C-E-N-O!!!! Oh, meu Deus!!!!
Mas o que se quer dizer quando alguém diz “foda”?
A mesma coisa que coito.
Além do que, “coito” é sinônimo de palavras como “fornicação”, “cópula” e da melhor de todas: “concúbito”. Você já se imaginou chamando sua cara metade para uma tarde de cópula? Para fornicar à luz de uma lareira? Ou então dizer algo como: “Amor, o que você acha de uma bela sessão de concúbito”?
Coito, vem da palavra grega “coitus”, que significa penetração. Certo. Mas, e se a palavra grega para esse ato fosse “fodus”? Foda seria a palavra certa e coito a obscena? (o que alías, faria muito mais sentido, porque é uma palavra feia pra burro.)
Foda ainda tem a facilidade de funcionar como “substantivo” E como “verbo”. Coito não tem essa vantagem. Ou alguém diz “eu vou coitar alguém”? (a não ser que se trate de um feitor de escravos ou alguém que pratique sado-masoquismo).
Não. E imagine por exemplo uma situação inusitada, como alguém dizendo “Ele foi coitado à força, coitado.”
É interessante se pensarmos que muitas das palavras que são consideradas corretas pela “língua culta” caem tanto em desuso no dia a dia, e as chamadas obscenas são tão repreendidas, porque eu sinceramente duvido, com todas as forças, mesmo que seja um catedrático, um erudito, um imortal da academia brasileira de letras, em uma “sessão de decúbito”, no auge da lascividade e excitação, diga alguma coisa parecida com : “Pratique felação na minha glande e no meu pênis, sua mundana!” em vez do bom e velho “Chupa meu pau, piranha!”.
Não é, em hipótese alguma, minha intenção incentivar a utilização de palavreado chulo numa língua que é tão bonita e rica como a lingua portuguesa. O que eu me pergunto é o porquê de fazermos essas divisões e as taxarmos de certas ou erradas, sendo que muitos de nós as usamos como digamos....facilitadores da comunicação coloquial.
Por exemplo: O termo correto e culto é defecar, certo? Mas você, sinceramente, já ouviu alguém dizendo esse termo em detrimento do “verbo” cagar? Mesmo porque é muito raro alguém dizer: “Querida, eu vou defecar e já volto” (nem mesmo o cagar é usado, a não ser que seja de forma escrachada).
Aliás, falando em defecar, o certo é disenteria ou desinteria?
Eu já ouvi um professor de cursinho ensinando uma dica para saber sem dúvidas: o certo é DISenteria, e para nunca errar, é só lembrar que se trata de uma DISfunção do intestino. Boa dica. Mas eu também tinha um amigo que jurava que era DESINTEria, pois ele sentia que tudo no estômago estava se DESINTEgrando. Vai entender....Filosofia de banheiro.
Agora, uma outra palavra que também é um tremento “coito” (viu como o sinônimo chulo deste termo funcionaria melhor?):
Estupro...estrupo....estupor....esturpo...Diz a verdade.... Você já se confundiu com essa palavra alguma vez na vida, como com edredon, lagartixa, iogurte, cadarço....E nenhuma delas é um palavrão!
Estupro é uma daquelas palavras que poucas pessoas falam da forma correta , mas que todos odeiam, seja pelo significado, seja pela grafia ou sonoridade.
Sonoridade aliás, é por si só um outro tema.
O que dizer de flatulência? Ou de seu sinônimo , o flato?
Pelo dicionário, é uma “ventosidade emitida pelo ânus” , ou em termos chulos, os famosos “peido” e “pum”. Dizer que está sofrendo de flatulência já deixa a pessoa envergonhada duas vezes: uma pela “flatulência” propriamente dita e a outra pelo odor, este liberado pela ventosidade emitida pelo ânus. Eu particularmente prefiro peidar, ou mesmo soltar altos e sonoros puns a ficar liberando ventosidades pelas minhas partes baixas decorrente de flatulência....É mais rápido e até digamos.... “mais simpático”. Pode comparar:
1. ooops, desculpe.... Estou sofrendo de flatulência...
2. ooops, desculpe.... Soltei um pum....
Quem me disser que vai conseguir ser simpático no primeiro exemplo, deve estar mentindo. Agora, quem não consegue ser simpático com alguém que diz “pum”, acompanhado de um sorrisinho levemente envergonhado no canto da boca?
Dá para se pensar depois disso, quais são as palavras que são de sacanagem ou as palavras que ESTÃO de sacanagem, que aliás, também é considerado um termo chulo.
Mas sacanagem mesmo, é quando você procura no dicionário um termo como a palavra “Inditoso” e encontra o sinônimo “Desditoso”. Claro que aí, você procura pela palavra “Desditoso”, cujo sinônimo é obviamente “Inditoso”.... e só.
Já dá para ficar infeliz só disso acontecer, mas se a pessoa for persistente, procurar em vários dicionários (não são todos que fazem essa “sacanagem”) e descobrir que o significado para esses sinônimos é de fato “Infeliz” ou “Desventurado” é que o desventurado fica mesmo infeliz.
De qualquer forma, peço humildemente minhas desculpas para as pessoas que se sintam ofendidas pelas minhas ofensas veladas (ou nem tanto) a algumas das palavras que são consideradas corretas pelas normas cultas de se falar, mesmo que quando eu martele meu dedo não diga “Volte para os braços da metretriz que lhe deu à luz” e sim use o bom e velho “Vá prá puta que o pariu!!!!”
O gozado nessa sentença, é que o “pariu” é usado na lingua culta, mas em conjunto com o termo chulo é que faz uma combinação “perfeita”.
Mas isso já pode ser tema para uma outra conversa......
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
sábado, 30 de agosto de 2008
A VACA
“Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra”. Quando o velhinho que escreveu essa frase teve essa idéia, ele deve ter tido um problema bem sério com alguma pedra bem grande (não pensem que eu sou burro não, eu sei que o velhinho da frase é um escritor, mesmo porque a minha mãe anda para cima e para baixo com livros com a foto dele), que devia atrapalhar bastante. Aconteceu uma coisa bem parecida com o meu pai, só que no caso dele, em vez de uma pedra, foi uma vaca.
Eu, meu pai, minha mãe, meu irmão do meio e minha irmãzinha estávamos indo, no carro do meu pai para o sítio do meu tio em Campos do Jordão, passar um fim de semana prolongado e depois de horas (eu não sei quantas, mas foi um tempão) de estrada, carros nos ultrapassando e xingando meu pai de “lerdo”, mais um tempão de serra (para chegar em Campos do Jordão tem que se pegar uma serra... enorme... chata...) e com a minha irmãzinha querendo vomitar o salgadinho que ela tinha comido no bar da estrada, nós chegamos a uma estrada de terra que ia até o sítio do meu tio, que também era muito longa e chata, tanto que eu e meus irmãos estávamos dormindo quando o carro de repente parou. Eu estava meio dormindo e meus irmãos não tinham acordado ainda quando eu ouvi a minha mãe dizer:
-...xum barum quespeto da vaca?
Como eu estava dormindo, eu só entendi mesmo da frase a palavra vaca, então eu me ajeitei para ver o que estava acontecendo e porque meu pai havia parado o carro naquele lugar (das outras vezes que nós tínhamos ido para lá, ele nunca parou ali, dizia que era perigoso) e foi aí que eu vi uma vaca enorme, preta e branca, que estava parada bem no meio do caminho, olhando para dentro do carro. Eu achei o máximo e logo acordei meus irmãos (eu sentava no banco do carro sempre no meio, porque eles sempre ficavam brigando, sabe? Daí minha mãe passou a me colocar no meio só porque eu sou o mais velho e daí sempre que eles brigavam, eu apanhava também, saco.) que adoraram ver aquela vaca imensa olhando para a gente.
Meu pai buzinou, buzinou, buzinou de novo e nada da vaca sair da frente. Na verdade, ela parecia estar gostando do som da buzina porque ela até chegou mais perto do carro e continuou ronronando para a gente, quer dizer.. não. Quem fica ronronando é o Spitz, o gato da minha tia que rouba sardinha na cara dela... vaca fica.. ah! sim, ruminando. Isso! A Vaca continuou ronr... ruminando e olhando agora para o meu pai que ficou queimado com a situação e buzinou desta vez mais forte por causa da falta de respeito da vaca. Como ela não saía da frente, o meu pai começou a acelerar o carro, sob os protestos da minha mãe que dizia “Não vá machucar o bichinho, coitado” e o meu pai começou a ficar irado e disse ”Bichinho? Essa maldita vaca deve ter uma tonelada e você tem coragem de chamá-la de bichinho? E é desaforada a desgraçada... Eu vou atropelar esse bicho!”, e começou a acelerar e a soltar um pouco o freio para o carro ir para frente para ver se ele assustava a vaca que não estava nem aí para as ameaças do meu pai, aliás, eu acho que se vaca risse , teria dado uma tremenda gargalhada naquele momento, pois ela ficou de costas para a gente e soltou uma (minha mãe vai ficar brava comigo) cagada enorme, ali, bem na frente do carro. Só não foi em cima do carro porque tinha uma distância razoável entre ela e o capô. Nesse momento eu e meus irmãos começamos a rir muito e minha mãe também ria, de uma forma um pouco mais contida, porque ela viu que meu pai estava com a cara fechada e logo, logo ia começar a gritar de nervoso. Como nós não parávamos de rir, meu pai virou para trás, e olhando para todos nós e disse com uma cara pouco agradável:
-Vocês vão ficar quietos ou eu vou ter que dar chineladas nos três?
Isso bastou para que nós ficássemos bem quietinhos, daí minha mãe soltou um “Ai bem, não precisa fazer assim, eles são só crianças e você tem que admitir que isso foi engraçado.”, que fez com que meu pai soltasse um suspiro bem longo e começou a buzinar de novo. Neste momento eu fiquei pensando como ele iria dar chineladas na gente, porque ele estava usando uns tênis vermelhos (que segundo minha mãe eram “horrorosos”, mas segundo meu pai eram “confortáveis” e por isso ele nunca os tirava dos pés) e os chinelos dele estavam no fundo da mala no porta-malas do carro, mas eu achei melhor não perguntar para ele sobre isso, porque eu acho que eu não ia gostar da resposta.
Quando meu pai viu que a vaca não estava dando a mínima para ele, ou para a buzina, ou para as acelerações que ele dava, ele resolveu partir para o ataque e sair do carro, com minha mãe dizendo “O que você vai fazer com o bichinho?” e meu pai com a cara cada vez pior respondeu “Não vou fazer nada de mais. Só espantar aquele paquiderme. E pare de chamar aquilo de bichinho!!!!” e saiu do carro.
O que aconteceu depois foi uma sessão de “ÔÔÔAAAAAs”, “ÊÊÊÊÊIAAAAAs” e “IIIIIIIIAAAAAs”, tudo isso com meu pai agitando os braços e a vaca que agora estava de frente para o carro de novo só ronronava, quer dizer, ruminava, olhando para dentro do carro como se ela fosse perguntar para minha mãe : “Que diabos é isso? Você conhece esse sujeito que mais parece uma gaivota esclerosada, agitando os braços desse jeito?”
Nós, dentro do carro morríamos de rir, tirando a minha mãe, que olhava para o meu pai , um olhar misto de dó e indignação, pois ele parecia um doido gritando daquele jeito. Então a vaca simplesmente virou de bunda para o meu pai, ficando de lado para o carro, ignorando-o solenemente, mas o meu pai não teve dúvida: lascou um tapão na bunda dela, que também não teve dúvida e deu-lhe um coice bem no meio das pernas, e não estou falando dos joelhos não, estou falando do “guindelo”, do “berimbau”, ahhh... do saco mesmo.
Nisso, em vez de darmos risadas, nós começamos a gargalhar e minha mãe que estava com a mão na boca, sufocando o riso, olhou para nós e fez “Shhhhhhhh!”, depois, como ela viu que meu pai estava ajoelhado no chão com uma cara horrível de dor e xingando tudo o que podia e o que não podia, com o rabo da vaca batendo em seu rosto, resolveu por a cara para fora do carro e disse:
-Benzinho, por que você não pega um pouco de mato e atrai o bichinho para fora da estrada?
A expressão do meu pai foi de “vão todos para o inferno” para “querida, você é genial” em dois segundos, mas mesmo assim com um pouco de raiva pois ele sabia que o “benzinho” e o “bichinho” tinham sido gozação. De qualquer forma, ele pegou um maço de mato que estava na beira da estrada e começou a passar na frente do carro, olhando para nós, até que ele parou, fez uma cara de muito nojo e gritou “Mas que merda!” e continuou a andar, até que eu pude constatar que era merda mesmo: ele tinha pisado na bosta que a vaca tinha deixado um pouco antes, e o engraçado, além do tênis ter passado de vermelho bombeiro para marrom cocô, é que o pé dele estava fazendo barulho quando ele pisava no chão, um Splash meio afônico que estava irritando-o profundamente.
Splash, splash, splash, fazia o pé do meu pai, até que ele ficou de frente para a vaca e mostrou o mato para ela, que começou a puxá-lo com a boca: estava dando certo. Ele começou a andar para trás, splash... splash... splash, com a vaca dando passos preguiçosos para a frente, então meu pai começou a sorrir e olhou para a minha mãe com um ar de satisfação, só que ele resolveu parar um pouquinho para dizer para ela “Até que enfim esse animal mostrou um pouco de inteligência...”, mas a vaca não parou de comer o capim e NHAC!, engoliu a mão do meu pai com capim e tudo. Eu e meus irmãos nessa hora soltamos em uníssono um “UUUUUUUUUUUUGH!” de nojo, pois a mão dele estava toda babada e melada, a minha mãe olhava aquela cena com o rosto contorcido de nojo também, e meu pai tinha ficado louco: começou a gritar todos os palavrões que eu conhecia e alguns que eu nunca tinha ouvido na minha vida , minha irmãzinha ficou com cara de medo ao ver meu pai daquele jeito e meu irmão do meio ria como um desesperado. Minha mãe até tentou fazer o meu pai ficar mais calmo com um “Calma bem, é só uma vaca, e você está assustando a Mariana!”, mas o que ela ouviu de volta foi “AAARRRGG!!! Eu vou fazer hambúrguer desse bicho!” , então ele saiu da estrada e voltou com um galho fino de árvore que ele pretendia usar como chicote na pobre vaca. Minha mãe protestou dizendo “Jorge, não precisa machucar o pobre bicho.”, mas ele só estendeu a mão esquerda vazia (a que não estava babada), num sinal para ela ficar quieta, ficou atrás da vaca e “Slapt!”, deu uma chicotada na vaca, que respondeu com um novo coice, mas desta vez meu pai estava em uma posição na qual a vaca não podia acertá-lo e “Paft!”, mais uma chicotada, mas a vaca sequer olhou de volta para ele. Depois de mais alguns “Pafts!” e “Slapts!” , ele começou a ficar cansado de espancar a coitada da vaca que nem se mexeu um milímetro, então ele teve uma outra idéia: empurrá-la com o galho da árvore. Ele espetou-a e começou a fazer força com o galho que envergou um pouco e parecia que ia quebrar, mas a vaca começou a andar para a frente, um, dois passos, meu pai ria de satisfação; três, quatro passos, mas no quinto, a vaca empacou, o galho quebrou e uma parte dele cortou o dedão da mão direita do meu pai que instintivamente colocou na boca por causa da dor. “UUUUUUUUUUUUUGH!” fizemos eu e meus irmãos dentro do carro de novo pois aquela era mão babada pela vaca, então meu pai percebeu o que havia feito e começou novamente a gritar palavrões e a cuspir feito louco no chão. A minha mãe estava olhando para aquilo tudo com a cabeça pousada na mão, com um ar aborrecido e nem falava mais nada, só ficando olhando aquela cena ridícula, esperando para ver como tudo iria acabar. Eu e meus irmãos ríamos feito loucos e todo movimento que o meu pai ou a vaca faziam era motivo para mais uma gargalhada, e a vaca por sua vez só ficava ronronando e vez ou outra olhava para dentro do carro como se estivesse sorrindo para nós.
A vaca parece que tinha resolvido contra atacar e sem motivo aparente, deu dois passos para trás, fazendo o meu pai recuar, recuar e SPLOOSH!, ele pisou com o pé esquerdo (o que não tinha cocô) numa poça de água, que molhou até a meia dele, de tão funda que ela era. Agora meu pai gritava mais do que nunca, um pé de seus confortáveis tênis vermelhos todo molhado, o outro cheio de bosta de vaca e ele andava de um lado para o outro: SPLASH, SPLOOSH, SPLASH, SPLOOSH, SPLASH, SPLOOSH, até que então ele falou muito sério “EU VOU MATAR ESSE MALDITO BICHO!!!” e saiu da estrada pelo lado esquerdo do carro com aquela sonoplastia nova que ele tinha adquirido SPLASH, SPLOOSH, SPLASH, SPLOOSH.
Depois que meu pai saiu da estrada, a vaca resolveu mudar de lado e voltou-se para o lado que meu pai havia saído da estrada: parecia que ela queria ver o que o meu pai ia fazer. Quando o meu pai voltou com os seus splashs e splooshs, ele carregava um galho de árvore grosso, enorme mesmo, que assustou a minha mãe que disse “O que você vai fazer Jorge? Você vai machucar o bicho e provavelmente se machucar também... Pare com isso, volte para o carro e nós esperamos a vaca sair do caminho...”, mas meu pai ignorou completamente a minha mãe e disse, só que dessa vez para a vaca:-EU VOU MATAR VOCÊ, VACA DOS INFERNOS!!!
Mas desta vez, a vaca replicou:
-MUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!
A minha irmãzinha deu um pulo de susto com o mugido da vaca e eu, o meu irmão, minha mãe e até o meu pai ficamos surpresos com aquele som, parecia que ela tinha desafiado o meu pai como quem diz “Vem aqui se você é homem...”.
Meu pai levantou o tacape acima da cabeça, a vaca bateu um casco no chão, meu irmão estava com a boca aberta, minha irmã com os olhos cheios de água e perguntando para a minha mãe “O que o papai vai fazer com a vaca, mamãe?”, eu e minha mãe estávamos olhando a cena perplexos.
Então a vaca virou de bunda para o meu pai e saiu da estrada, ignorando-o solenemente de novo.
Antes disso, ela soltou mais uma cagada enorme, como se estivesse zombando dele e foi aí que eu percebi o que significava a expressão “cagar e andar” para alguém. Meu pai ficou com uma cara de decepção sem igual e olhava para minha mãe, ainda com o tacape sobre a cabeça e parece que ia ficar assim pelo resto da vida se a minha mãe não tivesse dito:
-Jorge, já são 17:30 horas e daqui a pouco vai escurecer. Largue esse pedaço de pau e vamos embora. A vaca ganhou.
Aquilo foi a morte para o meu pai, ele largou a madeira, a sua cara era indescritível, então ele começou a andar, splash, sploosh, splash, sploosh, e quando ele ia entrar no carro, a minha mãe falou num tom de autoridade:
-Você não vai entrar no carro com esses tênis.
Então, meu pai sem pensar, e sem dizer uma palavra, tirou os tênis, os deixou cair na estrada e entrou no carro daquele jeito mesmo, só de meias. Ele acelerou o carro e começou a sair e quando a minha mãe fez menção de falar algo sobre os tênis que ficavam para trás, ele só estendeu a mão direita cheia de baba e bosta de vaca para minha mãe , que ficou quieta imediatamente.
Como eu e meus irmãos estávamos doidos para rir da situação eu resolvi falar, para quebrar o gelo:
-Pai, então quer dizer que não vamos ter hambúrguer hoje a noite?
Meus irmãos caíram na risada e eu me preparava para fazer outra piada, quando meu pai só olhou pelo retrovisor do carro com um silêncio sepulcral, o que foi suficiente para que nós ficássemos no mais absoluto silêncio.
Já passava das 18:00 e tudo já estava ficando escuro, minha mãe e meus irmãos dormiam e meu pai dirigia ainda quieto e abatido. Como ele não tinha acendido ainda os faróis do carro, tudo ficava meio assustador, até que eu tive a nítida impressão de ver mais a frente um demônio parado na estrada, com enormes chifres. Meu pai chegou mais perto e acendeu os faróis. Era um jumento. Ele tinhas as maiores orelhas que eu já vi. Ele zurrava muito. Ia ser uma longa noite.
Eu, meu pai, minha mãe, meu irmão do meio e minha irmãzinha estávamos indo, no carro do meu pai para o sítio do meu tio em Campos do Jordão, passar um fim de semana prolongado e depois de horas (eu não sei quantas, mas foi um tempão) de estrada, carros nos ultrapassando e xingando meu pai de “lerdo”, mais um tempão de serra (para chegar em Campos do Jordão tem que se pegar uma serra... enorme... chata...) e com a minha irmãzinha querendo vomitar o salgadinho que ela tinha comido no bar da estrada, nós chegamos a uma estrada de terra que ia até o sítio do meu tio, que também era muito longa e chata, tanto que eu e meus irmãos estávamos dormindo quando o carro de repente parou. Eu estava meio dormindo e meus irmãos não tinham acordado ainda quando eu ouvi a minha mãe dizer:
-...xum barum quespeto da vaca?
Como eu estava dormindo, eu só entendi mesmo da frase a palavra vaca, então eu me ajeitei para ver o que estava acontecendo e porque meu pai havia parado o carro naquele lugar (das outras vezes que nós tínhamos ido para lá, ele nunca parou ali, dizia que era perigoso) e foi aí que eu vi uma vaca enorme, preta e branca, que estava parada bem no meio do caminho, olhando para dentro do carro. Eu achei o máximo e logo acordei meus irmãos (eu sentava no banco do carro sempre no meio, porque eles sempre ficavam brigando, sabe? Daí minha mãe passou a me colocar no meio só porque eu sou o mais velho e daí sempre que eles brigavam, eu apanhava também, saco.) que adoraram ver aquela vaca imensa olhando para a gente.
Meu pai buzinou, buzinou, buzinou de novo e nada da vaca sair da frente. Na verdade, ela parecia estar gostando do som da buzina porque ela até chegou mais perto do carro e continuou ronronando para a gente, quer dizer.. não. Quem fica ronronando é o Spitz, o gato da minha tia que rouba sardinha na cara dela... vaca fica.. ah! sim, ruminando. Isso! A Vaca continuou ronr... ruminando e olhando agora para o meu pai que ficou queimado com a situação e buzinou desta vez mais forte por causa da falta de respeito da vaca. Como ela não saía da frente, o meu pai começou a acelerar o carro, sob os protestos da minha mãe que dizia “Não vá machucar o bichinho, coitado” e o meu pai começou a ficar irado e disse ”Bichinho? Essa maldita vaca deve ter uma tonelada e você tem coragem de chamá-la de bichinho? E é desaforada a desgraçada... Eu vou atropelar esse bicho!”, e começou a acelerar e a soltar um pouco o freio para o carro ir para frente para ver se ele assustava a vaca que não estava nem aí para as ameaças do meu pai, aliás, eu acho que se vaca risse , teria dado uma tremenda gargalhada naquele momento, pois ela ficou de costas para a gente e soltou uma (minha mãe vai ficar brava comigo) cagada enorme, ali, bem na frente do carro. Só não foi em cima do carro porque tinha uma distância razoável entre ela e o capô. Nesse momento eu e meus irmãos começamos a rir muito e minha mãe também ria, de uma forma um pouco mais contida, porque ela viu que meu pai estava com a cara fechada e logo, logo ia começar a gritar de nervoso. Como nós não parávamos de rir, meu pai virou para trás, e olhando para todos nós e disse com uma cara pouco agradável:
-Vocês vão ficar quietos ou eu vou ter que dar chineladas nos três?
Isso bastou para que nós ficássemos bem quietinhos, daí minha mãe soltou um “Ai bem, não precisa fazer assim, eles são só crianças e você tem que admitir que isso foi engraçado.”, que fez com que meu pai soltasse um suspiro bem longo e começou a buzinar de novo. Neste momento eu fiquei pensando como ele iria dar chineladas na gente, porque ele estava usando uns tênis vermelhos (que segundo minha mãe eram “horrorosos”, mas segundo meu pai eram “confortáveis” e por isso ele nunca os tirava dos pés) e os chinelos dele estavam no fundo da mala no porta-malas do carro, mas eu achei melhor não perguntar para ele sobre isso, porque eu acho que eu não ia gostar da resposta.
Quando meu pai viu que a vaca não estava dando a mínima para ele, ou para a buzina, ou para as acelerações que ele dava, ele resolveu partir para o ataque e sair do carro, com minha mãe dizendo “O que você vai fazer com o bichinho?” e meu pai com a cara cada vez pior respondeu “Não vou fazer nada de mais. Só espantar aquele paquiderme. E pare de chamar aquilo de bichinho!!!!” e saiu do carro.
O que aconteceu depois foi uma sessão de “ÔÔÔAAAAAs”, “ÊÊÊÊÊIAAAAAs” e “IIIIIIIIAAAAAs”, tudo isso com meu pai agitando os braços e a vaca que agora estava de frente para o carro de novo só ronronava, quer dizer, ruminava, olhando para dentro do carro como se ela fosse perguntar para minha mãe : “Que diabos é isso? Você conhece esse sujeito que mais parece uma gaivota esclerosada, agitando os braços desse jeito?”
Nós, dentro do carro morríamos de rir, tirando a minha mãe, que olhava para o meu pai , um olhar misto de dó e indignação, pois ele parecia um doido gritando daquele jeito. Então a vaca simplesmente virou de bunda para o meu pai, ficando de lado para o carro, ignorando-o solenemente, mas o meu pai não teve dúvida: lascou um tapão na bunda dela, que também não teve dúvida e deu-lhe um coice bem no meio das pernas, e não estou falando dos joelhos não, estou falando do “guindelo”, do “berimbau”, ahhh... do saco mesmo.
Nisso, em vez de darmos risadas, nós começamos a gargalhar e minha mãe que estava com a mão na boca, sufocando o riso, olhou para nós e fez “Shhhhhhhh!”, depois, como ela viu que meu pai estava ajoelhado no chão com uma cara horrível de dor e xingando tudo o que podia e o que não podia, com o rabo da vaca batendo em seu rosto, resolveu por a cara para fora do carro e disse:
-Benzinho, por que você não pega um pouco de mato e atrai o bichinho para fora da estrada?
A expressão do meu pai foi de “vão todos para o inferno” para “querida, você é genial” em dois segundos, mas mesmo assim com um pouco de raiva pois ele sabia que o “benzinho” e o “bichinho” tinham sido gozação. De qualquer forma, ele pegou um maço de mato que estava na beira da estrada e começou a passar na frente do carro, olhando para nós, até que ele parou, fez uma cara de muito nojo e gritou “Mas que merda!” e continuou a andar, até que eu pude constatar que era merda mesmo: ele tinha pisado na bosta que a vaca tinha deixado um pouco antes, e o engraçado, além do tênis ter passado de vermelho bombeiro para marrom cocô, é que o pé dele estava fazendo barulho quando ele pisava no chão, um Splash meio afônico que estava irritando-o profundamente.
Splash, splash, splash, fazia o pé do meu pai, até que ele ficou de frente para a vaca e mostrou o mato para ela, que começou a puxá-lo com a boca: estava dando certo. Ele começou a andar para trás, splash... splash... splash, com a vaca dando passos preguiçosos para a frente, então meu pai começou a sorrir e olhou para a minha mãe com um ar de satisfação, só que ele resolveu parar um pouquinho para dizer para ela “Até que enfim esse animal mostrou um pouco de inteligência...”, mas a vaca não parou de comer o capim e NHAC!, engoliu a mão do meu pai com capim e tudo. Eu e meus irmãos nessa hora soltamos em uníssono um “UUUUUUUUUUUUGH!” de nojo, pois a mão dele estava toda babada e melada, a minha mãe olhava aquela cena com o rosto contorcido de nojo também, e meu pai tinha ficado louco: começou a gritar todos os palavrões que eu conhecia e alguns que eu nunca tinha ouvido na minha vida , minha irmãzinha ficou com cara de medo ao ver meu pai daquele jeito e meu irmão do meio ria como um desesperado. Minha mãe até tentou fazer o meu pai ficar mais calmo com um “Calma bem, é só uma vaca, e você está assustando a Mariana!”, mas o que ela ouviu de volta foi “AAARRRGG!!! Eu vou fazer hambúrguer desse bicho!” , então ele saiu da estrada e voltou com um galho fino de árvore que ele pretendia usar como chicote na pobre vaca. Minha mãe protestou dizendo “Jorge, não precisa machucar o pobre bicho.”, mas ele só estendeu a mão esquerda vazia (a que não estava babada), num sinal para ela ficar quieta, ficou atrás da vaca e “Slapt!”, deu uma chicotada na vaca, que respondeu com um novo coice, mas desta vez meu pai estava em uma posição na qual a vaca não podia acertá-lo e “Paft!”, mais uma chicotada, mas a vaca sequer olhou de volta para ele. Depois de mais alguns “Pafts!” e “Slapts!” , ele começou a ficar cansado de espancar a coitada da vaca que nem se mexeu um milímetro, então ele teve uma outra idéia: empurrá-la com o galho da árvore. Ele espetou-a e começou a fazer força com o galho que envergou um pouco e parecia que ia quebrar, mas a vaca começou a andar para a frente, um, dois passos, meu pai ria de satisfação; três, quatro passos, mas no quinto, a vaca empacou, o galho quebrou e uma parte dele cortou o dedão da mão direita do meu pai que instintivamente colocou na boca por causa da dor. “UUUUUUUUUUUUUGH!” fizemos eu e meus irmãos dentro do carro de novo pois aquela era mão babada pela vaca, então meu pai percebeu o que havia feito e começou novamente a gritar palavrões e a cuspir feito louco no chão. A minha mãe estava olhando para aquilo tudo com a cabeça pousada na mão, com um ar aborrecido e nem falava mais nada, só ficando olhando aquela cena ridícula, esperando para ver como tudo iria acabar. Eu e meus irmãos ríamos feito loucos e todo movimento que o meu pai ou a vaca faziam era motivo para mais uma gargalhada, e a vaca por sua vez só ficava ronronando e vez ou outra olhava para dentro do carro como se estivesse sorrindo para nós.
A vaca parece que tinha resolvido contra atacar e sem motivo aparente, deu dois passos para trás, fazendo o meu pai recuar, recuar e SPLOOSH!, ele pisou com o pé esquerdo (o que não tinha cocô) numa poça de água, que molhou até a meia dele, de tão funda que ela era. Agora meu pai gritava mais do que nunca, um pé de seus confortáveis tênis vermelhos todo molhado, o outro cheio de bosta de vaca e ele andava de um lado para o outro: SPLASH, SPLOOSH, SPLASH, SPLOOSH, SPLASH, SPLOOSH, até que então ele falou muito sério “EU VOU MATAR ESSE MALDITO BICHO!!!” e saiu da estrada pelo lado esquerdo do carro com aquela sonoplastia nova que ele tinha adquirido SPLASH, SPLOOSH, SPLASH, SPLOOSH.
Depois que meu pai saiu da estrada, a vaca resolveu mudar de lado e voltou-se para o lado que meu pai havia saído da estrada: parecia que ela queria ver o que o meu pai ia fazer. Quando o meu pai voltou com os seus splashs e splooshs, ele carregava um galho de árvore grosso, enorme mesmo, que assustou a minha mãe que disse “O que você vai fazer Jorge? Você vai machucar o bicho e provavelmente se machucar também... Pare com isso, volte para o carro e nós esperamos a vaca sair do caminho...”, mas meu pai ignorou completamente a minha mãe e disse, só que dessa vez para a vaca:-EU VOU MATAR VOCÊ, VACA DOS INFERNOS!!!
Mas desta vez, a vaca replicou:
-MUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!
A minha irmãzinha deu um pulo de susto com o mugido da vaca e eu, o meu irmão, minha mãe e até o meu pai ficamos surpresos com aquele som, parecia que ela tinha desafiado o meu pai como quem diz “Vem aqui se você é homem...”.
Meu pai levantou o tacape acima da cabeça, a vaca bateu um casco no chão, meu irmão estava com a boca aberta, minha irmã com os olhos cheios de água e perguntando para a minha mãe “O que o papai vai fazer com a vaca, mamãe?”, eu e minha mãe estávamos olhando a cena perplexos.
Então a vaca virou de bunda para o meu pai e saiu da estrada, ignorando-o solenemente de novo.
Antes disso, ela soltou mais uma cagada enorme, como se estivesse zombando dele e foi aí que eu percebi o que significava a expressão “cagar e andar” para alguém. Meu pai ficou com uma cara de decepção sem igual e olhava para minha mãe, ainda com o tacape sobre a cabeça e parece que ia ficar assim pelo resto da vida se a minha mãe não tivesse dito:
-Jorge, já são 17:30 horas e daqui a pouco vai escurecer. Largue esse pedaço de pau e vamos embora. A vaca ganhou.
Aquilo foi a morte para o meu pai, ele largou a madeira, a sua cara era indescritível, então ele começou a andar, splash, sploosh, splash, sploosh, e quando ele ia entrar no carro, a minha mãe falou num tom de autoridade:
-Você não vai entrar no carro com esses tênis.
Então, meu pai sem pensar, e sem dizer uma palavra, tirou os tênis, os deixou cair na estrada e entrou no carro daquele jeito mesmo, só de meias. Ele acelerou o carro e começou a sair e quando a minha mãe fez menção de falar algo sobre os tênis que ficavam para trás, ele só estendeu a mão direita cheia de baba e bosta de vaca para minha mãe , que ficou quieta imediatamente.
Como eu e meus irmãos estávamos doidos para rir da situação eu resolvi falar, para quebrar o gelo:
-Pai, então quer dizer que não vamos ter hambúrguer hoje a noite?
Meus irmãos caíram na risada e eu me preparava para fazer outra piada, quando meu pai só olhou pelo retrovisor do carro com um silêncio sepulcral, o que foi suficiente para que nós ficássemos no mais absoluto silêncio.
Já passava das 18:00 e tudo já estava ficando escuro, minha mãe e meus irmãos dormiam e meu pai dirigia ainda quieto e abatido. Como ele não tinha acendido ainda os faróis do carro, tudo ficava meio assustador, até que eu tive a nítida impressão de ver mais a frente um demônio parado na estrada, com enormes chifres. Meu pai chegou mais perto e acendeu os faróis. Era um jumento. Ele tinhas as maiores orelhas que eu já vi. Ele zurrava muito. Ia ser uma longa noite.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
ZOO
1: -Olha aquele lá de novo, vai brigar com aquele mais feio.
2: -É mesmo,ih! vão discutir.... Olha lá!
1: -Agora ele vai embora, como sempre...
2: -Como sempre. E ali, não é aquela bonitona?
1: -Ih! É mesmo, essa aí adora provocar os outros. E agora o feio vai lá do lado dela.
2: -O feio vai sempre do lado de todos os outros.Deve ser um chato e tanto.
1: -Pode crer. E aquele lá longe, você já viu alguma vez?
2: -Hum... Qual?
1: -Aquele que está agitando os braços agora.
2: -Não. Esquisitinho, né ?
1: -É. Êta! Olha como ele come engraçado, fica se agitando todo, e agora....
2: -Agora o feio vai lá do lado dele. Não falei que o feio é chato prá cacete?
1: -Ô meu, onde você aprendeu a falar essas coisas, hein? Comigo, garanto que não...
2: -Hmmm... Desculpe.
1: -Tudo bem. Ih! Por que a bonitona tá tão agitada?
2: - O gordo mexeu nela, e lá vai o feio lá de novo....ÔÔ! Parece que ela vai...
1: -Parece que vai... Ó lá! Ó lá! Meteu um soco no gordo, será que ele vai reagir?
2: - O feio não vai deixar. Olha aí, não falei? Pronto agora o circo tá armado. Ih!
1: - Agora foi o gordo que bateu no feio...E a bonitona?
2: -Foi embora.... Agora vai todo mundo lá...
3: -ÔÔÔÔ!!!!Vocês dois aí, não cansam de ficar olhando esses humanos não?
2: -E o que mais a gente tem para fazer nessa porra de aquário?
1: -Olha a boca, pô!
2: -Desculpe.
3: -Vocês dois ficam aí e nem perceberam que colocaram comida de novo, lá em cima?
1: -De novo? Por quê?
3: -Aquele merda daquele acará-bandeira novo que fica só no canto. Ele come prá cacete!
1: -Agora eu sei onde você arrumou essa boca suja...
2: -É. Fazer o que, né?
3: -O que vocês estão sussurrando aí?
2: -Nada, nada. Me fala de novo, como é que você diz que o feio se chama?
3: -É maitre! Maitre! Entendeu? Vê se guarda essa porra de nome que eu já estou de saco cheio de repetir isso para vocês dois.
2: -Maitre, maitre, maitre... Tá bom. Guardei... Mas eu prefiro chamá-lo de feio. E aí, o que nós vamos fazer agora?
3: -Vamos comer porra...
2: -Tá bom, tá bom! Ô! Será que eles não vão limpar essa água não? Já tá ficando suja demais!
1: -Hoje é sábado, eles limpam só na segunda.
2: -Ah! É mesmo.Esqueci.
1: -Vamos logo comer antes que o “boca suja” encha o saco de novo.
2: -Tá bom! Tá bom!
2: -É mesmo,ih! vão discutir.... Olha lá!
1: -Agora ele vai embora, como sempre...
2: -Como sempre. E ali, não é aquela bonitona?
1: -Ih! É mesmo, essa aí adora provocar os outros. E agora o feio vai lá do lado dela.
2: -O feio vai sempre do lado de todos os outros.Deve ser um chato e tanto.
1: -Pode crer. E aquele lá longe, você já viu alguma vez?
2: -Hum... Qual?
1: -Aquele que está agitando os braços agora.
2: -Não. Esquisitinho, né ?
1: -É. Êta! Olha como ele come engraçado, fica se agitando todo, e agora....
2: -Agora o feio vai lá do lado dele. Não falei que o feio é chato prá cacete?
1: -Ô meu, onde você aprendeu a falar essas coisas, hein? Comigo, garanto que não...
2: -Hmmm... Desculpe.
1: -Tudo bem. Ih! Por que a bonitona tá tão agitada?
2: - O gordo mexeu nela, e lá vai o feio lá de novo....ÔÔ! Parece que ela vai...
1: -Parece que vai... Ó lá! Ó lá! Meteu um soco no gordo, será que ele vai reagir?
2: - O feio não vai deixar. Olha aí, não falei? Pronto agora o circo tá armado. Ih!
1: - Agora foi o gordo que bateu no feio...E a bonitona?
2: -Foi embora.... Agora vai todo mundo lá...
3: -ÔÔÔÔ!!!!Vocês dois aí, não cansam de ficar olhando esses humanos não?
2: -E o que mais a gente tem para fazer nessa porra de aquário?
1: -Olha a boca, pô!
2: -Desculpe.
3: -Vocês dois ficam aí e nem perceberam que colocaram comida de novo, lá em cima?
1: -De novo? Por quê?
3: -Aquele merda daquele acará-bandeira novo que fica só no canto. Ele come prá cacete!
1: -Agora eu sei onde você arrumou essa boca suja...
2: -É. Fazer o que, né?
3: -O que vocês estão sussurrando aí?
2: -Nada, nada. Me fala de novo, como é que você diz que o feio se chama?
3: -É maitre! Maitre! Entendeu? Vê se guarda essa porra de nome que eu já estou de saco cheio de repetir isso para vocês dois.
2: -Maitre, maitre, maitre... Tá bom. Guardei... Mas eu prefiro chamá-lo de feio. E aí, o que nós vamos fazer agora?
3: -Vamos comer porra...
2: -Tá bom, tá bom! Ô! Será que eles não vão limpar essa água não? Já tá ficando suja demais!
1: -Hoje é sábado, eles limpam só na segunda.
2: -Ah! É mesmo.Esqueci.
1: -Vamos logo comer antes que o “boca suja” encha o saco de novo.
2: -Tá bom! Tá bom!
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